Opinião: Bolsonaro e o medo de ser preso

Artigo opinativo reflete sobre as consequências de atos autoritários do ex-presidente

Jornalismo Especializado

Por Vittória Bonamigo Becker


Antes mesmo de se tornar réu por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou remover os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), Flávio Dino e Cristiano Zanin, do julgamento da admissibilidade da denúncia contra ele. Contudo, sua manobra foi barrada pelo próprio Supremo.
Este foi o segundo pedido de Bolsonaro para afastar esses ministros de seu julgamento. O ex-presidente baseou sua solicitação no fato de que ambos foram indicados pelo presidente Lula (PT), seu principal rival político. Ele alegou que Flávio Dino já havia representado uma ação penal contra ele antes de chegar ao STF. Já Cristiano Zanin, segundo Bolsonaro, teria se declarado impedido de atuar em casos eleitorais envolvendo o ex-presidente e, antes de assumir a vaga no Supremo, havia assinado uma notícia-crime contra ele na condição de advogado.
No entanto, tais alegações não se encaixam nas causas de impedimento previstas pela legislação brasileira, mostrando mais uma vez uma tentativa de Bolsonaro de distorcer as regras para proteger seus próprios interesses.
Em um ato de desespero e de uma hipocrisia flagrante, Bolsonaro revela sua verdadeira face política. Temendo as consequências de seu comportamento autoritário e suas ações que atentaram contra a democracia, ele tenta manipular as instituições para evitar um julgamento supostamente tendencioso.
Sua tentativa de afastar ministros que podem condená-lo, com base na lei, reflete não apenas o medo de ser preso, mas também a apreensão de ser julgado e condenado por ministros indicados por seu principal adversário político, Luiz Inácio Lula da Silva.
Este temor é uma demonstração de como Bolsonaro se vê vulnerável diante de um sistema de justiça que, ao contrário de seus desejos, não está submisso aos seus caprichos.
O que nos resta é confiar plenamente na soberania das leis brasileiras que, apesar dos desafios, continuam a ser um pilar fundamental para a preservação da democracia e da justiça no país.
Ao barrar a tentativa de Bolsonaro, o STF deu um sinal claro de que, no fim, a justiça prevalecerá. O ex-presidente precisará, enfim, enfrentar as duras consequências de seus atos, e sua impunidade, tão defendida por ele, deve terminar.